terça-feira, 6 de setembro de 2011

A ERA DOS FESTIVAIS/FESTIVAL DE 79 TV TUPI

FAGNER

Enquanto os festivais de música marcaram a história das TVs Excelsior, Record e Globo e foram fundamentais para a trajetória de cada uma dessas emissoras e para o momento histórico-cultural em que aconteceram, a sua importância na TV Tupi foi bem mais modesta. Em muito porque a Tupi - ao contrário das concorrentes que recém-caminhavam - já era uma senhora estabelecida em meados da década de 1960, quando a música popular brasileira se transformou em fenômeno televisivo.

Primeira emissora de televisão do Brasil, a Tupi faria agora 59 anos. Foi inaugurada em 18 de setembro de 1950 pelo então megaempresário das comunicações Assis Chateaubriand. A primeira transmissão oficial foi um verdadeiro acontecimento nacional na entrada do país na segunda metade do século 20. Não faltaram curiosos à festa de inauguração para assistir à programação exibida pela TV Tupi, empresa do conglomerado de mídia pertencente a Chateaubriand. Estrelas como a atriz Yara Lins participaram da grande festa, que teve direito ainda a uma música composta em homenagem à TV, de autoria do poeta Guilherme de Almeida e Marcelo Tupinambá, interpretada por Lolita Rodrigues.

Nos primeiros anos, embora boa parte do conteúdo fosse baseada no improviso, a Tupi emplacou programas que foram recorde de audiência, como Alô, Doçura, Sítio do Picapau Amarelo, O Céu É o Limite, Clube dos Artistas e Repórter Esso, que permaneceu durante 18 anos no ar. Foi também no início dos anos 50 que a Tupi inaugurou a era das novelas brasileiras.

Em 1967, no auge da era dos festivais, o Museu da Imagem e do Som achou que era uma boa retomar os velhos concursos de músicas de carnaval e convenceu a TV Tupi a bancar a investida. Assim, o 1o Concurso de Música para o Carnaval foi transmitido do Rio de Janeiro, cidade na qual aconteceria também, no segundo semestre, o 2o Festival Internacional da Canção, o FIC, produzido inicialmente pela TV Rio e, nos anos seguintes, pela Globo.

O 1o Concurso de Música para o Carnaval foi presidido por Ricardo Cravo Albin, então diretor do Museu da Imagem e do Som. O evento não rendeu grandes frutos em nenhuma das suas edições.

No fim da década de 1960, a Tupi vinha em declínio, o que se agravou com a morte de Chateaubriand, em 1968. No mesmo ano, ainda como tentativa de pegar carona no sucesso dos festivais e recuperar prestígio, Fernando Faro, um dos nomes fortes da produção da TV Tupi, criou o Festival Universitário da Canção Popular e também programas musicais que se tornaram sucesso, como Ensaio e Divino e Maravilhoso.

Mas o festival não causou grande rebuliço, embora contasse com a participação de artistas já consagrados, como Elis Regina. Foi apenas em 1979 que a emissora conseguiu realizar um de maior projeção, o Festival 79 da Música Popular. Porém a era dos festivais vivia seus últimos dias - e a Tupi também, que encerrou as atividades em julho de 1980.

DO SAMBA AO POPULAR Sambistas, estrelas do rádio e a nova geração do fim da década de 1970 são os destaques dos festivais da Tupi

Em 1967, o nome de Zé Kéti ainda estava associado ao show Opinião, dirigido em 1964 por Oduvaldo Vianna Filho, com o próprio Zé Kéti, João do Vale, Nara Leão e, depois, Maria Bethânia no elenco. Prestigiado pela elite cultural por causa do sucesso do Opinião, o compositor não abandonou as raízes - o samba e o morro - e foi o grande nome do Concurso de Música para o Carnaval promovido pela TV Tupi, vencendo a primeira edição com a marchinha Máscara Negra, gravada em seguida por Dalva de Oliveira, em um dos últimos sucessos da cantora. "Tanto riso, oh, quanta alegria/ Mais de mil palhaços no salão..." se tornaram alguns dos versos mais conhecidos das marchas carnavalescas e conquistaram o Carnaval de 1967, mesmo o concurso não tendo sido sucesso de audiência.

O Festival Universitário da Canção Popular promovido pela TV Tupi, que teve quatro edições, também não foi o palco principal do cenário da música brasileira, mas contribuiu para divulgar artistas que começavam a fazer sucesso em outros festivais. Foi o caso de Beth Carvalho, que ficou em terceiro lugar ao interpretar Meu Tamborim, de César Costa Filho e Ronaldo Monteiro de Souza, mas terminou o ano em alta pelo terceiro lugar com Andança, de Edmundo Souto, Paulinho Tajapós e Danilo Caymmi, no 3o Festival Internacional da Canção, da concorrente da Tupi, a Globo.

Também na edição de 1968, apareceu nas telas da Tupi o jovem Ivan Lins, que conseguiu levar às finais a composição Até o Amanhecer, dele e de Valdemar Correia, na voz de Cyro Monteiro. Uma das estrelas da Rádio Mayrink Veiga nos anos de ouro do rádio no Brasil, Cyro Monteiro foi um dos cantores populares de rádio a migrar com sucesso para a TV, participando de vários programas nas emissoras da época, em interação com diversos músicos jovens. Essa primeira edição do Festival Universitário contou ainda com a participação de Elis Regina, que ficou com o quarto lugar com Um Novo Rumo, de Arthur Verocai e Geraldo Flach.

Justamente por ser um festival de universitários, os autores das músicas eram quase completos desconhecidos e contavam com o carisma e a fama do intérprete para ajudar na classificação. Além de Elis e Cyro Monteiro, Claudette Soares, Taiguara, Jair Rodrigues e o Trio Maraiá deram o ar da graça no Festival Universitário da Canção Popular, da TV Tupi, cuja derradeira edição aconteceu em 1971.


Oito anos depois, em 1979, a TV Tupi realizou o seu último festival, o Festival 79 de Música Popular, que conseguiu, finalmente, maior projeção. O cearense Fagner, que conquistou o título de melhor intérprete por Quem Me Levará Sou Eu, de Dominguinhos e Manduka, vivia o primeiro boom da sua carreira. Outro grande destaque foi Oswaldo Montenegro, então com 23 anos.

Embora desacreditada por ele próprio, que não achava a sua composição com cara de festival, Oswaldo Montenegro ficou com o terceiro lugar, e sua performance foi uma das mais aplaudidas pelo público do lotado Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo.

O Festival 79 de Música Popular contou ainda com a participação de músicos como Zé Ramalho, Alceu Valença, Jackson do Pandeiro, Guilherme Arantes, Elba Ramalho, Kleiton e Kledir, Arrigo Barnabé, Caetano Veloso, entre outros.

KLEITON E KLEIDIR

ALCEU VALENÇA E JACKSON DO PANDEIRO
BIAFRA E ELBA RAMALHO

Um comentário:

  1. Apenas uma observação: quem aparece naquela foto não são Kleiton e Kledir e sim Kledir e o percussionista Gilnei Silveira, ambos no tempo em que integravam os Almôndegas.

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