AUGUSTO PIRES

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sábado, 16 de abril de 2016

O que esperar do pós-impeachment?

Na reta final para o processo do impeachment na Câmara dos Deputados, governo e oposição já pensam no dia seguinte.  A debandada em peso dos partidos de centro – ou fisiológicos – como PP, PSD, PR e PTB, fez com que a situação do governo se deteriorasse de forma acelerada. A apenas dois dias da votação, governo e oposição usarão de todas suas ferramentas disponíveis para garantir o apoio dos parlamentares. E o que acontece depois da votação?
Há apenas dois cenários possíveis para o pós-impeachment: (1) o processo é aprovado e segue para o Senado; ou (2) o processo de impeachment não atinge o quórum de 342 deputados e é arquivado. 
  1. O processo de impeachment da Presidente é aprovado e segue para o Senado
 Caso a oposição consiga os votos necessários para aprovar o impeachment na Câmara dos Deputados, o governo perderá legitimidade e dificilmente o Senado rejeitará a abertura do processo de investigação. Ainda assim, a derrota no plenário da Câmara pode ser considerada como uma batalha perdida, mas não a guerra.  A instabilidade política que alimenta a crise econômica se prolongará ao menos até maio, quando o Senado poderá afastar a presidente por 180 dias. Até lá, o palácio do Planalto continuará suas investidas junto aos senadores para tentar barrar a abertura do processo de impeachment pela casa, que precisa do aval de apenas a metade +1 dos membros, ou seja, 42 senadores.
Enquanto isso, o Vice-presidente Michel Temer já articula como seria um possível governo sob seu mandato. Dentre as medidas já anunciadas, encontram-se:
  • Redução do número de ministérios e cargos comissionados;
  • Reforma ministerial com nomes alinhados ao VP;
  • Fortalecimento de programas sociais para buscar o apoio dos movimentos sociais;
  • Reforma Política;
Temer possui inúmeros defeitos que a presidente Dilma Rousseff não tem, entretanto, ele é um exímio articulador político. O apoio que terá no Congresso Nacional, aliado a uma melhora do humor do empresariado e do mercado, fará com que Temer tenha um melhor relacionamento com o Legislativo e aprove com mais facilidade as medidas fundamentais necessárias. Entretanto, dois pontos merecem ser destacados: (a) neste cenário, o ex-presidente Lula e o PT seriam responsáveis por fazer oposição ao governo, situação que colocaria o partido numa oposição confortável para contrapor o governo de seu ex-aliado; e (b) não há uma saída milagrosa para a crise econômica do país, embora inicialmente possa haver uma melhora devido aos ânimos, esta mudança artificial não se manterá a longo prazo e medidas pouco populares (como aumento de impostos voltarão a ser discutidas. 
  1. O processo de impeachment não atinge o quórum de 342 deputados e é arquivado.
 Caso o processo seja rejeitado, o palácio do Planalto dará início ao seu processo de refundação do governo. Lula sairá como vitorioso e seguirá com os planos anunciados para recuperar o apoio da população e do Congresso Nacional. Algumas medidas já anunciadas são:
  • Reforma ministerial diminuindo a participação do PMDB e aumentando a de partidos se mantiveram junto ao governo durante a votação do impeachment
  • Incentivos para o setor produtivo visando fazer e economia voltar a girar para reduzir o desemprego;
  • Aumento de crédito;
 O mercado não reagirá bem a uma derrota e o humor do empresariado não melhorará tão cedo. Ainda, o governo continuará enfrentando dificuldades no Congresso Nacional para aprovar medidas de ajuste fiscal e terá que encarar a grave situação econômica, que tem sido deixada de lado no momento em que a crise política atinge seu ápice. Por um lado, a indefinição a respeito de quem estará no poder se encerra antes do previsto e a mobilização das manifestações pró-impeachment perderão força. O presidente da Câmara dos Deputados poderá até mesmo aceitar novas denúncias contra a presidente colocando em questão a delação premiada de Delcídio do Amaral e as gravações telefônicas, entretanto, o processo terá perdido força.
 Se a votação fosse hoje, possivelmente a oposição sairia vitoriosa. Porém as propostas e medidas podem mudar até que os cenários acima citados se concretizem. As decisões do STF a respeito da nomeação de Lula para a Casa Civil e afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara, por exemplo, podem levar a uma reorganização do cenário político Previsões políticas neste momento são impossíveis e muitas análises serão escritas e reescritas até o final da votação neste domingo. A única certeza para este final de semana, é que estaremos vivendo momentos históricos para o país.

1 Comentários:

Às 24 de abril de 2016 06:45 , Blogger mensagensnanett disse...

Eu não ligo muitos aos conceitos 'Direita' e 'Esquerda'.
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Se defender mais poder negocial para o contribuinte/consumidor é ser de 'Esquerda', então eu sou de 'Esquerda'.
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Mais:
A DEMOCRACIA É UMA FORMA de dotar o contribuinte/consumidor de algum poder negocial...mas, todavia, no entanto... esse poder negocial deverá ser aprofundado (ver Exemplo 1, e Exemplo 2).
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EXEMPLO 1:
O CONTRIBUINTE TEM QUE SE DAR AO TRABALHO!!!
-» Leia-se: o contribuinte tem de ajudar no combate aos lobbys que se consideram os donos da democracia!
---»»» Democracia Semi-Directa «««---
-» Isto é, votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco... isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa/endividamento poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a ‘coisa’ terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
-» Explicando melhor, em vez de ficar à espera que apareça um político/governo 'resolve tudo e mais alguma coisa'... o contribuinte deve, isso sim, é reivindicar que os políticos apresentem as suas mais variadas ideias de governação caso a caso, situação a situação, (e respectivas consequências)... de forma a que... possa existir o DIREITO AO VETO de quem paga!
[ver blog « http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/ »]
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EXEMPLO 2:
CONCORRÊNCIA A SÉRIO!!!
Não há necessidade do Estado possuir negócios do tipo cafés (etc), porque é fácil a um privado quebrar uma cartelização... agora, em produtos de primeira necessidade (sectores estratégicos) - que implicam um investimento inicial de muitos milhões - só a concorrência de empresas públicas é que permitirá COMBATER EFICAZMENTE A CARTELIZAÇÃO privada.
[ver blog « http://concorrenciaaserio.blogspot.pt/ »]
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P.S.
-» A ocasião faz o ladrão!
-» O contribuinte PAROLO_ista faz o golpista!
-» Ao passar um cheque em branco aos políticos... o contribuinte PAROLO_ista está a incentivar o golpista... a aplicar um 'chega-para-lá' no adversário político... porque o golpista sabe que ao fazê-lo fica com a faca e queijo na mão!
-» O contribuinte não pode passar um cheque em branco a nenhum político!!!

 

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